OPINIÃO 095 - Devolvam os computadores para seus filhos

Até cerca de dez anos a grande preocupação dos pais com relação a seus filhos e o uso da tecnologia não passava dos medos relativos à disseminação de vírus ou a invasão de hackers. Logo em seguida, a engenharia social e a exposição das informações pessoais e da família, o assédio aos jovens e os golpes virtuais, tornaram-se pauta no momento de impor limites quanto à utilização de computadores e internet. Hoje, a tecnologia faz parte da vida das famílias de forma orgânica, com dispositivos de segurança desenvolvidos e acessíveis. Poucos podem alegar desconhecer os perigos digitais, pois eles estão na conversa de bar, no Jornal Nacional ou no papo entre as crianças. O que tem me preocupado, como educador e usuário de tecnologia é outro problema que surgiu após a popularização dos tablets e smartphones, o analfabetismo funcional tecnológico.

Entregamos a nossas crianças smartphones capazes de se conectar com o mundo inteiro, permitimos a instalação de toda sorte de aplicativos e vídeos de caráter muito duvidoso no que diz respeito à função pedagógica ou mesmo à segurança da privacidade, mas não permitimos que utilizem nossos computadores porque podem ser “perigosos” quando mal utilizados. O preço por esta atitude é alto: jovens estão chegando ao Ensino Médio sem sequer saber abrir um documento em branco em um editor de textos. Salvá-lo em uma pasta específica? Criar uma pasta? Uma tabela? Planilhas? “Como assim, sor?
É preocupante saber que os jovens chegarão à graduação com um conhecimento tão pequeno sobre a utilização da ferramenta que os acompanhará pelo resto da vida acadêmica e profissional. Seja em que área for.

Não se iluda! Ver uma criança utilizando um smartphone com fluidez, abrindo e fechando aplicativos, selecionando vídeos ou manipulando aplicações não faz dela expert em tecnologia! Demonstra apenas que ela memorizou a função de cada elemento que aparece no display. Nada muito complexo para alguém que ainda não tem as preocupações e responsabilidades de um jovem ou adulto. Papais e mamães empolgadíssimos imaginando um futuro para o brilhante engenheiro da computação, esqueçam.

Os apps podem ser ferramentas incríveis, mas têm como característica principal o fato de entregarem pronto o produto final de qualquer necessidade tecnológica. O aspecto autoral praticamente desaparece com este tipo de recurso. O aplicativo resolve! É rápido, eficiente e dispensa a necessidade de se pensar como resolver um problema, pois foca no resultado e não no processo.

Depois de vinte anos à frente de espaços tecnológicos voltados à educação, posso afirmar, sem medo de estar promovendo qualquer injustiça, que a criança do quarto ano do Ensino Fundamental de dez ou quinze anos atrás podia ser mais produtivo diante de um computador que um estudante entrando no Ensino Médio em 2019. Este equipamento está fora do contexto para um jovem hoje. E isto vai fazer muita falta.

Assisti o surgimento das escolas de informática que ensinavam o beabá acerca da “nova tecnologia”, quando o computador começou a se tornar popular. Em seguida, assisti à queda destas mesmas escolas, quando o computador doméstico já estava inserido culturalmente na vida das pessoas. Será que ainda vou assistir a ressurreição das escolinhas de informática para ensinar nossos filhos e netos a criar uma pasta no Windows e salvar um documento do Word dentro dela?





Me segue no Instagram: @leandrodearaujofotografia

E no Twitter: @Le_Aquecimento


E minha galeria no Flickr

Comentários

  1. Iludem o avanço tecnológico na Escolaridade obrigatória. Antigamente havia Colégios de 1º Grau com padrão simples. Alunos desfrutavam da saudável Infância, Adolescência e Juventude. Naturalizou a medíocre pela consequência do equívoco. Penso que as crianças deveriam exercitar a Datilografia já no Ensino Primário. Aprenderiam o Legítimo sentido da habilidade motora.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Absurdamente notório quão a indisponibilidade de comportamento dentro do convívio escolar. Erroneamente insignificante, crianças, adolescentes e adultos nocivamente ''Mal instruídos'', buscarem satisfazerem-se no consumismo fútil. Como afirmei no comentário anterior; Naturalizou a mediocridade do equívoco. Sou pela diminuição de horas, sem que pessoas utilizem do celular moderno. Todavia, eternizada a Evolução dos Computadores da Linha de Windows.

    ResponderExcluir

Postar um comentário