quarta-feira, 21 de março de 2018

QUANDO A TOLERÂNCIA FRAQUEJA

Sempre disse, e sempre vou repetir, que a TOLERÂNCIA é a palavra mais bonita da Língua Portuguesa. Mas o atual contexto político e social do Brasil, juro, está me fazendo compreender de uma forma cada vez mais estreita a relevância desta palavra. 

Quando as pessoas celebram a morte de alguém, porque estava em uma posição política contrária, justificando com frases cheias de ódio, cuspidas a quem sequer se conhecia, a tolerância fraqueja.

Quando a morte de alguém é "julgada" de menor importância, porque outras pessoas morreram e não tiveram a mesma repercussão, a tolerância fraqueja.

Quando se celebra a violência, o escárnio e a estupidez, desde que seja direcionado ao "lado contrário", imputando àqueles que assumem uma posição diferente os mesmos adjetivos que são tão refutados quando apontados para si, a tolerância fraqueja.

Quando, por conveniência, se reduz o complexo e plural ser humano a uma única sigla, tornando inimigos o que poderíamos tratar apenas como adversários, a tolerância fraqueja.

Quando, protegido pelo manto covarde da web se brada indiscriminadamente gritos de ladrão, doente, vagabundo, pregando a “morte” daqueles que não concordam com sua linha de pensamento, ainda que aos amigos, para amanhã ou depois, na sua presença, apertar sua mão como se nada tivesse sido dito, a tolerância fraqueja. 

Quando, ao olhar tanto à esquerda quanto à direita, não se vê mais a menor possibilidade de diálogo ou do desejo de aprender com os erros ou acertos do outro lado, a tolerância fraqueja.

Quando o bem comum se torna menos importante do que defender uma posição política, a tolerância fraqueja.

Quando deixamos de racionalizar, tornando-nos não mais que cães marcando território, urinando aqui e ali sem critério, a tolerância fraqueja. 

A máscara caiu. O Brasil de respeito às diferenças, que permitia distintos credos, distintas cores, onde tudo se misturava em um grande carnaval, “mostra a sua cara”. É um país que mata porque se torce por outro time de futebol, porque se vota em outro candidato, porque se reza para outro Deus ou porque ama quem não se pode amar. Cada mensagem compartilhada em redes sociais fazendo apologia à diferença, é uma ode ao ódio. Nos tornamos propagadores da intolerância, da barbárie e da boçalidade. Voltamos a ser medievais.

quinta-feira, 8 de março de 2018

NÃO AJUDE SUA MULHER EM CASA!


Não, eu não enlouqueci. Este é o título mesmo. E antes que comece a ser apedrejado por todas e aplaudido por alguns, deixe-me fazer entender.

Sua mulher não precisa de ajuda. Acredite em mim! Se por um motivo ou outro você não estiver mais por perto, pode acreditar que ela dará um jeito de resolver sem você. Porque diferentemente de nós, elas são assim.

A mulher não quer um ajudante. Se quisesse, contratava um. Ela quer um parceiro, um sócio, tendo em vista que a casa não é dela, mas de ambos. Ela não quer alguém para quebrar seu galho. Que cuide do filho enquanto ela tome banho. Que faça a janta porque “hoje é um dia especial”. Não quer que você troque a fralda suja do bebê porque participa dos afazeres como um bom pai, mas porque a fralda está suja mesmo. E ponto.

Em vez de ajudar, divida as responsabilidades como se a casa e os filhos também fossem seus.  Não são apenas o carro, o botijão de gás e a resistência do chuveiro propriedades do marido. Sabia disso?

E pasme agora com esta informação chocante! Em alguns momentos, sua mulher também pode não estar afim de lavar a louça, passar pano na casa ou recolher a roupa do varal. Sério! Não há prazeres ocultos em tarefas domésticas que justifiquem você achar que sua mulher vai se sentir realizada, a “rainha do lar”, por fazê-las. Ela também acha um saco e, se pudesse, pagaria alguém para fazer.

Então, amigão. Esquece esse papo de “ajudar a mulher” e assume seu papel de associado no empreendimento, pois quando um sócio não contribui com o desenvolvimento do negócio só há duas soluções: rompimento do contrato ou abertura de franquia.





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sábado, 17 de fevereiro de 2018

INTROMISSÃO MILITAR


Então aconteceu. Para o regozijo de muitos amigos, verdadeiros e de redes sociais, o governo federal anunciou que a intervenção militar no Rio de Janeiro não só é necessária, como já é realidade. A bancada da bala e seus eleitores celebram o fato de que agora, com o exército tocando o terror na Cidade Maravilhosa, o crime e o tráfico de drogas estão com os dias contados. Muitos esperam uma postura de guerra por parte de nossos briosos militares para pôr fim ao desmando dos “vida loka”. Só que não, sem “rechitégui”.

O problema da violência no Rio de Janeiro, ou em qualquer lugar no Brasil, nunca foi uma questão militar. É social. Mesmo que o exército de Israel entre em uma favela e mate todo mundo que tiver qualquer relação com o crime, é só uma questão de tempo para que o processo se reinicie e tenhamos tudo acontecendo exatamente como está hoje. Por que isso? Simplesmente porque o governo federal não está fazendo nada para que a principal vertente do crime no Brasil desapareça: a desigualdade social.

Sim! Sem dúvida há necessidade de ação imediata porque a segurança pública no Rio e em outras capitais brasileiras, simplesmente não existe e o caos está instaurado. Medidas que passem pela polícia despreparada e mal paga, por um judiciário “mãos atadas”, um sistema carcerário insuficiente e ineficiente. Estancar uma sangria de décadas. Mas nenhuma medida de emergência resolve o problema da criminalidade sem a promoção de uma revolução social, com vistas à situação de miséria em que sem encontram muitos brasileiros, ao desemprego, à falta de educação, saúde e, principalmente, de perspectiva.

Esquece esse papo de que a esquerda quer “passar a mão na cabeça do bandido”. A esquerda também tem filhos. Também quer poder andar na rua em paz. Também quer criminoso na cadeia. O que muitos de meus amigos que simpatizam ou militam pela direita não entendem é que de nada adianta pensar que “bandido bom é bandido morto” enquanto o Estado continuar promovendo políticas excludentes, que promovem a desigualdade social. O que gera o crime é a falta de perspectiva, não a falta de milicos nas ruas. No ano passado mais de cem policiais foram mortos apenas na cidade de São Paulo. Todos estavam armados. Ou seja, bandido não tem medo de arma apontada para sua cabeça, porque sabe que tirando a vida de crime, não sobra vida nenhuma. Não há o que se perder e ele aprendeu a viver assim.

Hoje o país vive uma situação política atípica, onde tudo está polarizado (menos a vontade de ver Temer fora do poder, isso é consenso). Irracionalmente definiu-se que ser de esquerda é querer ver bandido livre e ser de direita é querer ver bandido morto. Ambos os sentimentos são irresponsavelmente egoístas e livres de qualquer prerrogativa social. Beleza! O bandido está morto. E agora, o que faremos com o filho do bandido? Esperamos ele crescer e virar bandido para matá-lo também. Pois é isto que nos espera. É o que resta. #FORATEMER






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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

UM BISCOITO DE NATAL – CRÔNICA MODERNA SOBRE O ESPÍRITO NATALINO

Um biscoito de Natal não pode ser de Natal! Porque o Natal não é feito de biscoito. Ele é de plástico, com peças metálicas e luzes que acendem e apagam e fazem um barulho irritante.

Para algo ser feito especificamente para esta data, precisa obrigatoriamente ter passado pela linha de produção em série de alguma fábrica, embalado em plástico transparente e estéril, cujas crianças filhas dos que trabalham nestas linhas de produção não terão como tê-lo, pois seus pais não poderão comprá-lo. Também é preciso que haja outros milhões exatamente iguais e que estejam presos às mentes infantis por graça e obra das repetidas chamadas comerciais da TV, que misteriosamente desaparecerão em janeiro, para voltar somente daqui um ano.

Ora bolas! Onde já se viu? Dizer que algo é de Natal sendo que não será exaustivamente usado por algumas horas e depois largado em algum canto até ser descartado, para que leve alguns milênios até se decompor de verdade? Natalino mesmo tem que poluir o meio ambiente e gerar discórdia - “Por que o dele é melhor (mais caro) que o meu? ” E também tem que fazer os pequenos não entenderem porque algumas crianças ganham do Papai Noel coisas tão legais, enquanto outras ganham tão pouco. Ou nada.

Para alguma coisa ser de Natal, ela não pode ter ALMA, ela tem que ter PREÇO. Tem que gerar impostos para fazer girar a economia do país, mesmo que este país não seja o nosso. Tem que gerar emprego, mesmo que seja subemprego. Tem que deixar alguém muito mais rico do que já era, mesmo que às custas dos sonhos ingênuos de quem vai sacrificar algumas semanas de carne no jantar, para colocar um sorriso efêmero na boca de seu filho.

Um Natal moderno tem que ser cercado de objetos que prendam a atenção das pessoas de maneira que elas não precisem conversar, nem olhar nos olhos uma das outras sem ser através de uma tela. Tem que ser touch, smart e fazer selfie. Ao mesmo tempo indestrutível e durável até o lançamento da próxima atualização, que vai acontecer daqui alguns meses. Tem que ter bateria que dure muito. Ser prateado ou dourado. E grande! Para ser visto de longe pelas outras pessoas. Tem de fazer eu me sentir exclusivo, como todos os outros milhões iguais a mim. Egoístas, ingênuos ou tolos.

As coisas natalinas não precisam passar de uma geração para outra, como a receita de um biscoito de Natal. Têm que ser lançamentos! Têm que ter estreia mundial! Ainda que sejam exatamente iguais à versão do ano passado, apenas com uma “roupa nova”.

Um biscoito de Natal não é assim. Ele é feito com as mãos. As mesmas mãos que apertam as bochechas dos netos, que acariciam, que tremem com a chegada da velhice. Em sua receita vai farinha, açúcar, canela e amor. Dos três primeiros uma pitada, se for o caso. Mas do quarto ingrediente quantidades substancialmente grandes. Se transbordar, melhor. O biscoito de Natal pode durar segundos depois de ser ganho, ou pode ficar guardado em um lugar especial por meses, pois a pessoa que ganhou ficou com pena de comer, como se a presença do biscoito ainda mantivesse viva e quente a presença de quem o deu como presente.

No futuro, em vez da ceia e da comunhão com a família, entregaremos presentes de Natal através de robôs, ou drones, que levarão os pacotes com uma mensagem de voz gravada desejando Feliz Natal e finalizando com “Um beijo ou um abraço! ”, que será apenas parte do protocolo de entrega, pois não saberemos mais o que são um beijo e um abraço. Os comerciais de TV continuarão exibindo mensagens belas e emocionantes, mas continuarão sendo, assim como são hoje, apenas a moldura para o verdadeiro retrato natalino: um gigantesco pacote de presente, comprado em doze vezes no cartão de crédito, com uma linda fita vermelha esvoaçante, que se será chamado popularmente de O GRANDE ESPÍRITO DO NATAL.

Minha dica para antes que isso aconteça: abrace forte sua família. Chore com ela se sentir vontade de chorar. Beije os mais velhos enquanto estiverem por aqui, pois isto será muito mais significativo do que levar flores e saudade quando não estiverem mais. Principalmente para ti, que vai dar o beijo. Peça desculpa para seus filhos, por todas as vezes que tivestes que ser duro com eles. Não se limita a ajudar, sê parceiro. Agradece. Declara amor. Ama!





Fotos de biscoitos artesanais confeccionados por "Tia Iara Biscoitos Decorados"

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

O CAVALEIRO E O ESPELHO

Belo era um cavaleiro. Medieval.

Como todo cavaleiro tinha a missão de proteger o reino e suas instituições mais importantes: a família, a igreja e o rei. Não necessariamente nesta ordem. Costumava sair à rua com uma espada à cinta, para que fosse reconhecido publicamente. Se divertia vendo o temor que causava naqueles que não tiveram a honra de ser reconhecidos pelo nobre título. Sentia orgulho da importância de seu trabalho, afinal de contas, poucas pessoas no reino podiam ostentar a imponência de uma espada de cavaleiro e ser respeitado como tal.

Vaidoso, Belo também se considerava um homem muito bonito. Com sua postura sempre elegante, jamais deixaria de fazer reverência às frágeis donzelas do reino. Afirmava que, enquanto estivesse por perto, princesa alguma precisava se preocupar malfeitores ou dragões. A força de sua arma seria suficiente para que elas pudessem continuar tranquilamente vivendo suas vidas tradicionais, dedicando seu tempo àquilo que faziam de melhor, serem donzelas. Andava por entre as casas do reino sentindo-se muito bem com o medo que sua enorme espada causava nas pessoas. Não temam, frágeis donzelas!

Num certo dia, Belo desperta de um sono pesado, fruto da ressaca de uma noite regada a bebidas e donzelas. Um prêmio justo e merecido por sua condição de cavaleiro. Ergue-se de sua cama e, diferente do que fazia todas as manhãs, ao invés de pegar sua espada e partir em busca de novas aventuras, procura um espelho para ver se em seu belo rosto havia sinais da animada noite que tivera. E então acontece algo terrível!

Ao se olhar no espelho, em vez dos dentes brancos e parelhos, pontiagudas presas amareladas. As madeixas loiras e abundantes deram lugar a pelos desgrenhados e sujos. A máscula barba bem aparada desapareceu, dando lugar a algo que parecia escamas. No lugar dos nórdicos olhos azuis, olhos vermelhos de ódio. Um verdadeiro monstro!

Belo tomou um grande susto quando viu seu reflexo. Em seguida riu, imaginando tratar-se de alguma brincadeira de seus amigos cavaleiros. Tentou arrancar a possível máscara e, quanto mais tentava esconder sua feiura, mais ela se revelava. Agora, por baixo das escamas de sua pele, começavam a surgir chifres e seu nariz, antes voluptuoso, crescia e deformava assustadoramente. Aterrorizado, tomado de uma ira irracional, pegou sua espada e, sem qualquer dúvida, espatifou o espelho. O mesmo devia estar encantado, fruto da vingança de alguma dessas tantas velhas bruxas, as quais muitas ele passou a vida inteira caçando e queimando em fogueiras.

Desesperado e com medo de ser visto naquele estado pelas pessoas do reino, vestiu um elmo que escondia totalmente sua feiura, pegou sua temida espada, e saiu pelas ruas do vilarejo a procura de um espelho que estivesse livre do encantamento, para poder-se mirar lindo e sedutor, como sempre fora. Mas não encontra. Cada espelho encontrado pelo caminho reflete ainda mais características monstruosas. Olheiras fundas e negras, gosmas nojentas escorrendo de suas narinas, uma cauda pontiaguda sem pelos. A raiva só aumentava e mais espelhos iam sendo quebrados. Sua espada nunca havia trabalhado tanto!

Seguia sua cruzada destroçando todo e qualquer objeto que pudesse refletir sua imagem. Já não apenas se limitava a pôr fim em seu próprio reflexo medonho, como prometia aos berros queimar todas as bruxas que ainda estavam vivas.

Cumpriu sua promessa sangrenta. Primeiramente, caçou as bruxas que declaravam publicamente sua condição encantada. Em seguida, aquelas que negavam, mas que aparentavam muito pertencer a alguma ordem mágica. Por fim, tratou de queimar aquelas que sequer pareciam bruxas, mas que pelo fato de protestarem pedindo o fim ao bruxicídio, mereciam o fogo também.

Como não havia mais espelhos ou bruxas no reino, Belo, o cavaleiro, sentiu calmamente sua ira se abrandar. Ora! Obviamente sua imagem voltaria à beleza que sempre tivera. Então, depois de acabar com a última bruxa e o último espelho do reino, seguiu a trilha que levava de volta à aldeia.

No meio do caminho sentiu sede e resolveu beber água em um riacho. Chegando à margem de um pequeno rio, tirou seu elmo, soltou a espada da cinta e se abaixou para alcançar a água em um remanso. Foi então que estendeu as mãos em concha e olhou para água.

O terror tomou conta de seu coração! Na água do riacho, entrecortada por pequenos peixes que nadavam de um lado para outro, um reflexo assustador mostrava que o monstro continuava lá. E nada que o cavaleiro fizesse mudava isso. Por mais que batesse com sua espada na água, assim que ela acalmava, voltava a revelar a criatura monstruosa. Já cansado de tanto golpear seu reflexo sem sucesso, começou a perder as forças e caiu, extenuado.

Respirava de forma ofegante, completamente confuso. Em sua cabeça agora uma avalanche de dúvidas e uma única certeza. Por quê? Desde quando? Uma tristeza enorme toma conta de seu ser. Está ferido em sua alma, com medo e sem saber o que fazer.

Recupera o fôlego, volta a sentar-se na beira do riacho e novamente olha seu reflexo. Uma sombra paira sobre sua consciência quando percebe que talvez o monstro sempre estivera ali. Que o olhar de medo das pessoas jamais teria sido por causa de sua grande e temida espada, mas pela sua aparência medonha. Belo entendeu, então, que de nada adiantava quebrar espelhos ou caçar bruxas, enquanto ele mesmo não reconhecesse o que representava para todos que estavam próximos. Muitas vezes os monstros que vemos são apenas reflexos daquilo que está em nós, mas que a vaidade, ou o medo de não sermos perfeitos, acaba por esconder. Os espelhos que quebramos jamais voltam a refletir, assim como as bruxas que queimamos jamais voltarão a fazer sua mágica.

Jogou sua espada na água e a viu afundar rapidamente, até desaparecer no fundo. O mesmo fez com seu elmo. Voltou a pegar a estrada em direção à aldeia. Agora entendendo que se aprendesse a reconhecer seu próprio aspecto monstruoso, talvez pudesse aprender a entender a importância das bruxas e a real utilidade dos espelhos.

Reflexão: Quantas vezes tu já criticaste ou mesmo estranhaste a atitude de alguma pessoa, sendo que tu mesmo já fizeste ou desejaste fazer o mesmo?





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segunda-feira, 12 de junho de 2017

NAMORADA MESMO

Namorada mesmo é quem todos os dias te mostra quem tu és, e que te alerta quando estás deixando de ser. Que te acompanha mesmo quando não está junto, que se faz presença.

Namorada mesmo é quem te dá carinho e caminho, pois as vezes a direção é mais importante que o afago.

Namorada mesmo é quem dança contigo
quando não tem música.

Namorada mesmo é quem te faz não dar bola para o calendário como se o fato do tempo estar passando não te fizesse mais velho porque a felicidade não tem lugar no tempo. E ela te lembra disso, o tempo todo.

Namorada mesmo sorri e briga e te joga uma panela... mas te faz um jantar maravilhoso de vez em quando e faz com que todo jantar junto dela seja maravilhoso.

Namorada, mas namorada mesmo, continua sendo namorada quando o universo inteiro conspira para que ela não seja mais... e continua sendo namorada mesmo quando tu não te achas mais namorado, ou que o tempo dos namorados já passou.



O tempo dos namorados nunca passa para quem tem uma namorada mesmo.



Eu tenho uma dívida de gratidão à vida por ter me presenteado com a melhor namorada que um homem poderia ter. Obrigado, Fabi, por ser a pessoa que dá sentido a minha vida. Te amo para sempre!



segunda-feira, 24 de abril de 2017

É de Casa - Reportagem sobre a Tia Iara Biscoitos Decorados

Na semana passada, mais especificamente em 20/04/2017, recebemos a visita do Zeca Camargo, apresentador do É de Casa, lá na nossa casa. Ele foi gravar uma matéria sobre os biscoitos da Tia Iara Biscoitos, que foi ao ar no dia 22/04/2017. Vejam aqui a matéria na íntegra:



Quem quiser conhecer os biscoitos da Tia Iara, pode acessar seu canal no Facebook:
www.facebook.com/tiaiarabiscoitosdecorados

Quem mais participou da matéria:
Zeca Camargo:
https://www.facebook.com/ozecacamargo

Fabi Araújo:
https://www.facebook.com/fabinhaaraujo

Iara Hofsttater:
https://www.facebook.com/iara.hofsttater

Aline Hofsttater:
https://www.facebook.com/aline.hofstaettervargas

Érico Araújo:
https://www.facebook.com/mundodeerico

Lê Araújo:
https://www.facebook.com/leandroaquecimento

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EU ESCOLHI RACIOCINAR (Sobre o clipe “Eu Escolhi Você”, da Clarice Falcão)

Normalmente não uso falar em meu blog sobre polêmicas da internet. Prefiro falar sobre histórias que vivencio ou coisas nas quais eu acredito. Mas li tantas coisas divergentes, principalmente nas redes sociais, que resolvi assistir ao clipe “Eu Escolhi Você”, da Clarice Falcão, e mostrar para algumas pessoas da minha família. Agora compartilho com vocês o que penso sobre o assunto.

Para quem não sabe do que se trata (por onde tu andaste mesmo?), o clipe inteiro se resume em exibir genitais de pessoas dançando. Isso mesmo! Pessoas nuas, mas sem exibir as pessoas... apenas pênis e vaginas dançantes. No final do texto eu coloco o link para quem quiser assistir o vídeo, que ainda está disponível para visualização no Vimeo.

A música é bonitinha. Só isso. Nada de mais. Tipo MPB que não emplaca, saca? Provavelmente quando passar a polêmica da nudez ninguém mais vai lembrar. Assim como a própria Clarice Falcão, que na minha opinião funcionava muito melhor como atriz do Porta dos Fundos do que como cantora. Mas é uma opinião minha, sei que tem uma galera que gosta e eu respeito. O poema fala sobre escolhas que fazemos, acerca das pessoas que estão conosco. Algumas realmente porque optamos e outras por falta de opção mesmo. Fica chovendo no molhado e não chega em lugar algum:

“Eu escolhi você
Porque não tá tão fácil assim de escolher
Tem muita gente ruim
E quando não é ruim
É porque não gosta de mim
Aí termina que no fim só tem você”

Mas o bafafá todo está em torno do clipe, de seus pintos balançantes e vaginas bailarinas. Os comentários dos que condenam o clipe falam em pornografia, baixaria e apelação. Muito também se fala em falta de criatividade e oportunismo. Muita gente, mas muita gente mesmo, começou a tecer comentários a respeito do caráter da cantora, mesmo desconhecendo totalmente quem ela era ou o que fazia antes de ver o clipe pela primeira vez. Muitos fizeram isso sem sequer assistir o clipe. O Youtube tirou o vídeo do ar, o que eu achei bem estranho, pois não é difícil encontrarmos nudez ou até mesmo conteúdo erótico ou explícito no famoso site de vídeos, que diz permitir nudez desde que represente arte, saúde ou ciência. Os moralistas citaram as crianças, a erotização do conteúdo e também não perderam a chance de levantar a questão que trata da necessidade do bloqueio dos conteúdos da internet. Esta semana apareceu até um desocupado preocupado deputado evangélico, que propõe uma lei para impedir conteúdos eróticos na internet, porque “os jovens estão se masturbando demais” (sic).

Na boa, galera, assisti o clipe. Mais de uma vez. Não resisti e mostrei para Fabi, minha esposa. Ainda não satisfeito, mostrei para minha sogra. Depois para alguns amigos e para colegas do trabalho. Finalmente, e nesse caso sei que alguns ficarão “chocados”, mostrei para o Érico, meu filho de oito anos.

Sinceramente, se tem algo que eu não vi no clipe, foi pornografia. Porque a nudez não é pornográfica. Nós somos pornográficos! É possível fazer pornografia sem mostrar sequer uma bunda. A pornografia está no ato sexual, seja através de imagens, sons, textos ou simplesmente insinuações, que mesmo não explicitas, sugerem que o sexo está acontecendo. Isto acontece corriqueiramente na novela das 21 horas, sem genitálias à mostra. Não precisa haver nudez para que algo seja erótico ou sensual. Clipes da Shakira são sensuais sem haver nu, e nem por isso deixam de ser bonitos. Nas letras de funk há pornografia porque não há outra preocupação senão a de mostrar a relação de quem canta com o prazer sexual. Nas imagens do clipe da música da Clarice Falcão isso não acontece, pois existem pessoas nuas, igual a todos nós quando estamos no banho. Não somos pornográficos quando estamos no banho. Ou somos e eu não sei? Talvez eu seja ingênuo demais para enxergar.
A reação de meu filho de oito quando assistiu ao clipe foi incrível! Ele olhou até o fim e concluiu categoricamente: “Pai, esse é o pior clipe que eu já vi na minha vida.” Deu às costas e saiu para brincar. Mas ele não falou isso por causa dos pelados. Seu desinteresse se deu porque o clipe não oferece nada. É tão simples e pobre no que tem a oferecer, que só mostra algo de ruim ou bom porque esses conceitos já estavam na cabeça de quem avalia o clipe antes de assisti-lo. Meu filho não estabelece conceitos sexuais ao vídeo porque isto não faz parte do seu universo, e o clipe não se encarrega de apresentar. Outra coisa que percebi é que o Érico não se impressionou com nada que apareceu justamente por não ter novidade alguma para ele ali. Sempre tomou banho e se trocou conosco e nunca tratamos de estigmatizar ou mascarar a nudez. Tratou a nudez do clipe de forma natural. Como na verdade é!

O grande problema do hipócrita é que ele imputa reputação a tudo e a todos, mas faz isso através de julgamentos baseados em conceitos que estão impregnados no caráter dele mesmo. Quem vê pornografia em uma pessoa nua dançando sem qualquer insinuação sexual, vê em uma pessoa vestida, porque a imagem já estava previamente formada em sua mente. O puritano que vê erotização em uma simples imagem de nu é tão doentio quanto o pedófilo que consegue se excitar com imagens de crianças nuas, e compartilha isso com outros pela web. Qualquer novela das 21 horas tem mostrado muito mais erotização sem o nu explícito que o clipe de Eu Escolhi Você. Não me sinto confortável em ver meu filho na frente da TV na hora da novela, mas tinha certeza que o clipe para ele não teria nada demais.

Enquanto milhões estavam debatendo a perigosa exposição sexual do clipe da música da Clarice Falcão, outra joia musical de verão, o funk “Deu Onda” e seu refrão “Meu pau te ama” estão na cabeça de todos os adolescentes e muitas crianças, pois como não temos pintos e vaginas aparecendo, então ela é legal.

E para concluir: VÃO CARPIR UM LOTE OU CORTAR UMA GRAMA!


Eu Escolhi Você - Clarice Falcão from gideony on Vimeo.


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PROMETA

Finalzinho de dezembro é uma época do ano muito legal. É neste período que as pessoas começam a avaliar aquilo que foi feito durante os últimos 365 dias para tentar calcular o que merecem para o próximo ano, como se as boas ações merecessem prêmios. Também é nesta época do ano que muitos extorquem seus santos favoritos, prometendo de tudo, caso sejam agraciados com alguma conquista em especial.

 “Se minha sogra se curar desta doença, prometo ir a pé daqui até o templo de Nossa Senhora do Deus Nos Acuda.”

“Se eu conseguir um emprego novo, prometo acender uma vela de sete dias no altar da minha santa, que fica Horizontina.”

“Se eu passar de ano, prometo ficar um mês sem beber refri.”

 Ei!!! Calma lá se está pensando que eu vim aqui criticar a fé!!! Longe de mim questionar a fé! Acredito que para muitos ela é algo extremamente importante. É o que dá sentido à vida de muitas pessoas, aquilo que aponta os rumos a seguir. Eu seria um idiota se aparecesse por aqui pedindo às pessoas que abandonem sua fé ou parem de prometer. Contudo, só para não perder o hábito, venho propor uma reflexão a vocês.

E se em vez de andar quilômetros a pé para agradecer uma graça conquistada, você prometesse andar (ou ir de carro, ônibus, carroça) até um hospital de sua cidade e fizesse uma doação voluntária de sangue?

E se, além de parar de fumar para melhorar a qualidade do ar que entra nos seus pulmões, você prometesse plantar árvores e melhorar a qualidade do ar que entra nos pulmões de todo mundo?

Também àquela galera que promete parar de beber, proponho aproveitar a oportunidade e se oferecer como voluntário, pelo menos uma vez na vida, para servir a sopa aos moradores de rua de sua cidade. Sabia que tem uma outra galera que faz isso?

Aproveitando a vibe de parar de fumar e beber, aos boêmios que prometem parar de sair à noite, recomendo sair durante o dia e visitar um asilo, ou um hospital infantil. Pode ir só para conversar com aqueles que estão lá, precisando da palavra ou da companhia de alguém.

Prometa também parar de falar mal dos outros, e de se intrometer na vida de quem não quer intromissão. Prometa dirigir com mais prudência. Prometa ter mais paciência com seus filhos e entender que a maioria dos “problemas” que eles causam é por sentir falta da sua atenção. Prometa que vai dizer EU TE AMO para as pessoas que vivem contigo, para seus filhos, pais, irmãos. Prometa juntar o lixo que está no chão e jogar na lixeira, independentemente de ter sido você ou não quem jogou ali. Prometa aceitar a opinião alheia, principalmente quando ela for diferente da sua. Prometa entender que as pessoas são mais importantes que o time pelo qual elas torcem, a novela que assistem ou o partido no qual votam. Prometa fazer uma faxina no seu roupeiro e doar todas as roupas que não usa mais para alguma instituição que precise delas mais do que você. Prometa ser tolerante com o que é diferente e prometa fazer diferente daquilo que você criticou nos outros. E prometa fazer isso tudo na companhia de seus filhos, para que eles aprendam através dos bons exemplos e sintam orgulho de você.


Prometa, no próximo ano, ser melhor do que você foi neste ano que está terminando. E ser esforce ao máximo em cumprir.








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