terça-feira, 26 de setembro de 2017

O CAVALEIRO E O ESPELHO

Belo era um cavaleiro. Medieval.

Como todo cavaleiro tinha a missão de proteger o reino e suas instituições mais importantes: a família, a igreja e o rei. Não necessariamente nesta ordem. Costumava sair à rua com uma espada à cinta, para que fosse reconhecido publicamente. Se divertia vendo o temor que causava naqueles que não tiveram a honra de ser reconhecidos pelo nobre título. Sentia orgulho da importância de seu trabalho, afinal de contas, poucas pessoas no reino podiam ostentar a imponência de uma espada de cavaleiro e ser respeitado como tal.

Vaidoso, Belo também se considerava um homem muito bonito. Com sua postura sempre elegante, jamais deixaria de fazer reverência às frágeis donzelas do reino. Afirmava que, enquanto estivesse por perto, princesa alguma precisava se preocupar malfeitores ou dragões. A força de sua arma seria suficiente para que elas pudessem continuar tranquilamente vivendo suas vidas tradicionais, dedicando seu tempo àquilo que faziam de melhor, serem donzelas. Andava por entre as casas do reino sentindo-se muito bem com o medo que sua enorme espada causava nas pessoas. Não temam, frágeis donzelas!

Num certo dia, Belo desperta de um sono pesado, fruto da ressaca de uma noite regada a bebidas e donzelas. Um prêmio justo e merecido por sua condição de cavaleiro. Ergue-se de sua cama e, diferente do que fazia todas as manhãs, ao invés de pegar sua espada e partir em busca de novas aventuras, procura um espelho para ver se em seu belo rosto havia sinais da animada noite que tivera. E então acontece algo terrível!

Ao se olhar no espelho, em vez dos dentes brancos e parelhos, pontiagudas presas amareladas. As madeixas loiras e abundantes deram lugar a pelos desgrenhados e sujos. A máscula barba bem aparada desapareceu, dando lugar a algo que parecia escamas. No lugar dos nórdicos olhos azuis, olhos vermelhos de ódio. Um verdadeiro monstro!

Belo tomou um grande susto quando viu seu reflexo. Em seguida riu, imaginando tratar-se de alguma brincadeira de seus amigos cavaleiros. Tentou arrancar a possível máscara e, quanto mais tentava esconder sua feiura, mais ela se revelava. Agora, por baixo das escamas de sua pele, começavam a surgir chifres e seu nariz, antes voluptuoso, crescia e deformava assustadoramente. Aterrorizado, tomado de uma ira irracional, pegou sua espada e, sem qualquer dúvida, espatifou o espelho. O mesmo devia estar encantado, fruto da vingança de alguma dessas tantas velhas bruxas, as quais muitas ele passou a vida inteira caçando e queimando em fogueiras.

Desesperado e com medo de ser visto naquele estado pelas pessoas do reino, vestiu um elmo que escondia totalmente sua feiura, pegou sua temida espada, e saiu pelas ruas do vilarejo a procura de um espelho que estivesse livre do encantamento, para poder-se mirar lindo e sedutor, como sempre fora. Mas não encontra. Cada espelho encontrado pelo caminho reflete ainda mais características monstruosas. Olheiras fundas e negras, gosmas nojentas escorrendo de suas narinas, uma cauda pontiaguda sem pelos. A raiva só aumentava e mais espelhos iam sendo quebrados. Sua espada nunca havia trabalhado tanto!

Seguia sua cruzada destroçando todo e qualquer objeto que pudesse refletir sua imagem. Já não apenas se limitava a pôr fim em seu próprio reflexo medonho, como prometia aos berros queimar todas as bruxas que ainda estavam vivas.

Cumpriu sua promessa sangrenta. Primeiramente, caçou as bruxas que declaravam publicamente sua condição encantada. Em seguida, aquelas que negavam, mas que aparentavam muito pertencer a alguma ordem mágica. Por fim, tratou de queimar aquelas que sequer pareciam bruxas, mas que pelo fato de protestarem pedindo o fim ao bruxicídio, mereciam o fogo também.

Como não havia mais espelhos ou bruxas no reino, Belo, o cavaleiro, sentiu calmamente sua ira se abrandar. Ora! Obviamente sua imagem voltaria à beleza que sempre tivera. Então, depois de acabar com a última bruxa e o último espelho do reino, seguiu a trilha que levava de volta à aldeia.

No meio do caminho sentiu sede e resolveu beber água em um riacho. Chegando à margem de um pequeno rio, tirou seu elmo, soltou a espada da cinta e se abaixou para alcançar a água em um remanso. Foi então que estendeu as mãos em concha e olhou para água.

O terror tomou conta de seu coração! Na água do riacho, entrecortada por pequenos peixes que nadavam de um lado para outro, um reflexo assustador mostrava que o monstro continuava lá. E nada que o cavaleiro fizesse mudava isso. Por mais que batesse com sua espada na água, assim que ela acalmava, voltava a revelar a criatura monstruosa. Já cansado de tanto golpear seu reflexo sem sucesso, começou a perder as forças e caiu, extenuado.

Respirava de forma ofegante, completamente confuso. Em sua cabeça agora uma avalanche de dúvidas e uma única certeza. Por quê? Desde quando? Uma tristeza enorme toma conta de seu ser. Está ferido em sua alma, com medo e sem saber o que fazer.

Recupera o fôlego, volta a sentar-se na beira do riacho e novamente olha seu reflexo. Uma sombra paira sobre sua consciência quando percebe que talvez o monstro sempre estivera ali. Que o olhar de medo das pessoas jamais teria sido por causa de sua grande e temida espada, mas pela sua aparência medonha. Belo entendeu, então, que de nada adiantava quebrar espelhos ou caçar bruxas, enquanto ele mesmo não reconhecesse o que representava para todos que estavam próximos. Muitas vezes os monstros que vemos são apenas reflexos daquilo que está em nós, mas que a vaidade, ou o medo de não sermos perfeitos, acaba por esconder. Os espelhos que quebramos jamais voltam a refletir, assim como as bruxas que queimamos jamais voltarão a fazer sua mágica.

Jogou sua espada na água e a viu afundar rapidamente, até desaparecer no fundo. O mesmo fez com seu elmo. Voltou a pegar a estrada em direção à aldeia. Agora entendendo que se aprendesse a reconhecer seu próprio aspecto monstruoso, talvez pudesse aprender a entender a importância das bruxas e a real utilidade dos espelhos.

Reflexão: Quantas vezes tu já criticaste ou mesmo estranhaste a atitude de alguma pessoa, sendo que tu mesmo já fizeste ou desejaste fazer o mesmo?





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segunda-feira, 12 de junho de 2017

NAMORADA MESMO

Namorada mesmo é quem todos os dias te mostra quem tu és,
e que te alerta quando estás deixando de ser.
Que te acompanha mesmo quando não está junto,
que se faz presença.

Namorada mesmo é quem te dá carinho
e caminho, pois as vezes a direção é mais importante que o afago.

Namorada mesmo é quem dança contigo
quando não tem música.

Namorada mesmo é quem te faz não dar bola para o calendário
como se o fato do tempo estar passando não te fizesse mais velho
porque a felicidade não tem lugar no tempo.
E ela te lembra disso, o tempo todo.

Namorada mesmo sorri e briga e te joga uma panela...
mas te faz um jantar maravilhoso de vez em quando
e faz com que todo jantar junto dela seja maravilhoso.

Namorada, mas namorada mesmo, continua sendo namorada
quando o universo inteiro conspira para que ela não seja mais...
e continua sendo namorada
mesmo quando tu não te achas mais namorado,
ou que o tempo dos namorados já passou.



O tempo dos namorados nunca passa

para quem tem uma namorada mesmo.



Eu tenho uma dívida de gratidão à vida por ter me presenteado com a melhor namorada que um homem poderia ter. Obrigado, Fabi, por ser a pessoa que dá sentido a minha vida. Te amo para sempre!



segunda-feira, 24 de abril de 2017

É de Casa - Reportagem sobre a Tia Iara Biscoitos Decorados

Na semana passada, mais especificamente em 20/04/2017, recebemos a visita do Zeca Camargo, apresentador do É de Casa, lá na nossa casa. Ele foi gravar uma matéria sobre os biscoitos da Tia Iara Biscoitos, que foi ao ar no dia 22/04/2017. Vejam aqui a matéria na íntegra:



Quem quiser conhecer os biscoitos da Tia Iara, pode acessar seu canal no Facebook:
www.facebook.com/tiaiarabiscoitosdecorados

Quem mais participou da matéria:
Zeca Camargo:
https://www.facebook.com/ozecacamargo

Fabi Araújo:
https://www.facebook.com/fabinhaaraujo

Iara Hofsttater:
https://www.facebook.com/iara.hofsttater

Aline Hofsttater:
https://www.facebook.com/aline.hofstaettervargas

Érico Araújo:
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Lê Araújo:
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EU ESCOLHI RACIOCINAR (Sobre o clipe “Eu Escolhi Você”, da Clarice Falcão)

Normalmente não uso falar em meu blog sobre polêmicas da internet. Prefiro falar sobre histórias que vivencio ou coisas nas quais eu acredito. Mas li tantas coisas divergentes, principalmente nas redes sociais, que resolvi assistir ao clipe “Eu Escolhi Você”, da Clarice Falcão, e mostrar para algumas pessoas da minha família. Agora compartilho com vocês o que penso sobre o assunto.

Para quem não sabe do que se trata (por onde tu andaste mesmo?), o clipe inteiro se resume em exibir genitais de pessoas dançando. Isso mesmo! Pessoas nuas, mas sem exibir as pessoas... apenas pênis e vaginas dançantes. No final do texto eu coloco o link para quem quiser assistir o vídeo, que ainda está disponível para visualização no Vimeo.

A música é bonitinha. Só isso. Nada de mais. Tipo MPB que não emplaca, saca? Provavelmente quando passar a polêmica da nudez ninguém mais vai lembrar. Assim como a própria Clarice Falcão, que na minha opinião funcionava muito melhor como atriz do Porta dos Fundos do que como cantora. Mas é uma opinião minha, sei que tem uma galera que gosta e eu respeito. O poema fala sobre escolhas que fazemos, acerca das pessoas que estão conosco. Algumas realmente porque optamos e outras por falta de opção mesmo. Fica chovendo no molhado e não chega em lugar algum:

“Eu escolhi você
Porque não tá tão fácil assim de escolher
Tem muita gente ruim
E quando não é ruim
É porque não gosta de mim
Aí termina que no fim só tem você”

Mas o bafafá todo está em torno do clipe, de seus pintos balançantes e vaginas bailarinas. Os comentários dos que condenam o clipe falam em pornografia, baixaria e apelação. Muito também se fala em falta de criatividade e oportunismo. Muita gente, mas muita gente mesmo, começou a tecer comentários a respeito do caráter da cantora, mesmo desconhecendo totalmente quem ela era ou o que fazia antes de ver o clipe pela primeira vez. Muitos fizeram isso sem sequer assistir o clipe. O Youtube tirou o vídeo do ar, o que eu achei bem estranho, pois não é difícil encontrarmos nudez ou até mesmo conteúdo erótico ou explícito no famoso site de vídeos, que diz permitir nudez desde que represente arte, saúde ou ciência. Os moralistas citaram as crianças, a erotização do conteúdo e também não perderam a chance de levantar a questão que trata da necessidade do bloqueio dos conteúdos da internet. Esta semana apareceu até um desocupado preocupado deputado evangélico, que propõe uma lei para impedir conteúdos eróticos na internet, porque “os jovens estão se masturbando demais” (sic).

Na boa, galera, assisti o clipe. Mais de uma vez. Não resisti e mostrei para Fabi, minha esposa. Ainda não satisfeito, mostrei para minha sogra. Depois para alguns amigos e para colegas do trabalho. Finalmente, e nesse caso sei que alguns ficarão “chocados”, mostrei para o Érico, meu filho de oito anos.

Sinceramente, se tem algo que eu não vi no clipe, foi pornografia. Porque a nudez não é pornográfica. Nós somos pornográficos! É possível fazer pornografia sem mostrar sequer uma bunda. A pornografia está no ato sexual, seja através de imagens, sons, textos ou simplesmente insinuações, que mesmo não explicitas, sugerem que o sexo está acontecendo. Isto acontece corriqueiramente na novela das 21 horas, sem genitálias à mostra. Não precisa haver nudez para que algo seja erótico ou sensual. Clipes da Shakira são sensuais sem haver nu, e nem por isso deixam de ser bonitos. Nas letras de funk há pornografia porque não há outra preocupação senão a de mostrar a relação de quem canta com o prazer sexual. Nas imagens do clipe da música da Clarice Falcão isso não acontece, pois existem pessoas nuas, igual a todos nós quando estamos no banho. Não somos pornográficos quando estamos no banho. Ou somos e eu não sei? Talvez eu seja ingênuo demais para enxergar.
A reação de meu filho de oito quando assistiu ao clipe foi incrível! Ele olhou até o fim e concluiu categoricamente: “Pai, esse é o pior clipe que eu já vi na minha vida.” Deu às costas e saiu para brincar. Mas ele não falou isso por causa dos pelados. Seu desinteresse se deu porque o clipe não oferece nada. É tão simples e pobre no que tem a oferecer, que só mostra algo de ruim ou bom porque esses conceitos já estavam na cabeça de quem avalia o clipe antes de assisti-lo. Meu filho não estabelece conceitos sexuais ao vídeo porque isto não faz parte do seu universo, e o clipe não se encarrega de apresentar. Outra coisa que percebi é que o Érico não se impressionou com nada que apareceu justamente por não ter novidade alguma para ele ali. Sempre tomou banho e se trocou conosco e nunca tratamos de estigmatizar ou mascarar a nudez. Tratou a nudez do clipe de forma natural. Como na verdade é!

O grande problema do hipócrita é que ele imputa reputação a tudo e a todos, mas faz isso através de julgamentos baseados em conceitos que estão impregnados no caráter dele mesmo. Quem vê pornografia em uma pessoa nua dançando sem qualquer insinuação sexual, vê em uma pessoa vestida, porque a imagem já estava previamente formada em sua mente. O puritano que vê erotização em uma simples imagem de nu é tão doentio quanto o pedófilo que consegue se excitar com imagens de crianças nuas, e compartilha isso com outros pela web. Qualquer novela das 21 horas tem mostrado muito mais erotização sem o nu explícito que o clipe de Eu Escolhi Você. Não me sinto confortável em ver meu filho na frente da TV na hora da novela, mas tinha certeza que o clipe para ele não teria nada demais.

Enquanto milhões estavam debatendo a perigosa exposição sexual do clipe da música da Clarice Falcão, outra joia musical de verão, o funk “Deu Onda” e seu refrão “Meu pau te ama” estão na cabeça de todos os adolescentes e muitas crianças, pois como não temos pintos e vaginas aparecendo, então ela é legal.

E para concluir: VÃO CARPIR UM LOTE OU CORTAR UMA GRAMA!


Eu Escolhi Você - Clarice Falcão from gideony on Vimeo.


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PROMETA

Finalzinho de dezembro é uma época do ano muito legal. É neste período que as pessoas começam a avaliar aquilo que foi feito durante os últimos 365 dias para tentar calcular o que merecem para o próximo ano, como se as boas ações merecessem prêmios. Também é nesta época do ano que muitos extorquem seus santos favoritos, prometendo de tudo, caso sejam agraciados com alguma conquista em especial.

 “Se minha sogra se curar desta doença, prometo ir a pé daqui até o templo de Nossa Senhora do Deus Nos Acuda.”

“Se eu conseguir um emprego novo, prometo acender uma vela de sete dias no altar da minha santa, que fica Horizontina.”

“Se eu passar de ano, prometo ficar um mês sem beber refri.”

 Ei!!! Calma lá se está pensando que eu vim aqui criticar a fé!!! Longe de mim questionar a fé! Acredito que para muitos ela é algo extremamente importante. É o que dá sentido à vida de muitas pessoas, aquilo que aponta os rumos a seguir. Eu seria um idiota se aparecesse por aqui pedindo às pessoas que abandonem sua fé ou parem de prometer. Contudo, só para não perder o hábito, venho propor uma reflexão a vocês.

E se em vez de andar quilômetros a pé para agradecer uma graça conquistada, você prometesse andar (ou ir de carro, ônibus, carroça) até um hospital de sua cidade e fizesse uma doação voluntária de sangue?

E se, além de parar de fumar para melhorar a qualidade do ar que entra nos seus pulmões, você prometesse plantar árvores e melhorar a qualidade do ar que entra nos pulmões de todo mundo?

Também àquela galera que promete parar de beber, proponho aproveitar a oportunidade e se oferecer como voluntário, pelo menos uma vez na vida, para servir a sopa aos moradores de rua de sua cidade. Sabia que tem uma outra galera que faz isso?

Aproveitando a vibe de parar de fumar e beber, aos boêmios que prometem parar de sair à noite, recomendo sair durante o dia e visitar um asilo, ou um hospital infantil. Pode ir só para conversar com aqueles que estão lá, precisando da palavra ou da companhia de alguém.

Prometa também parar de falar mal dos outros, e de se intrometer na vida de quem não quer intromissão. Prometa dirigir com mais prudência. Prometa ter mais paciência com seus filhos e entender que a maioria dos “problemas” que eles causam é por sentir falta da sua atenção. Prometa que vai dizer EU TE AMO para as pessoas que vivem contigo, para seus filhos, pais, irmãos. Prometa juntar o lixo que está no chão e jogar na lixeira, independentemente de ter sido você ou não quem jogou ali. Prometa aceitar a opinião alheia, principalmente quando ela for diferente da sua. Prometa entender que as pessoas são mais importantes que o time pelo qual elas torcem, a novela que assistem ou o partido no qual votam. Prometa fazer uma faxina no seu roupeiro e doar todas as roupas que não usa mais para alguma instituição que precise delas mais do que você. Prometa ser tolerante com o que é diferente e prometa fazer diferente daquilo que você criticou nos outros. E prometa fazer isso tudo na companhia de seus filhos, para que eles aprendam através dos bons exemplos e sintam orgulho de você.


Prometa, no próximo ano, ser melhor do que você foi neste ano que está terminando. E ser esforce ao máximo em cumprir.








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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

FORMATURA DA EDUCAÇÃO INFANTIL OU “DE COMO RECEBER UM PRESENTE DE ANIVERSÁRIO ESPETACULAR E INESPERADO”

Este ano praticamente não comemorei meu aniversário. Como havia agendado o registro fotográfico da festa de encerramento de uma escola de educação infantil na noite do dia 07/12, cheguei em casa do trabalho, peguei meu equipamento fotográfico e fui para o local da cerimônia. Não fosse o abraço carinhoso das pessoas da família, o telefonema de alguns parentes que estão longe e os recados bem legais do Face, teria passado totalmente em branco. Só que não...





Professora Priscila e Mikaela
Festa da Família 2016 da Escola de Educação Infantil Risco e Rabisco
07/12/2016 - Esteio, RS

Um último abraço na minha professora... A lágrima da pequena Mikaela na foto acima talvez até dispensasse maiores explicações. Também deixa bem claro qual o sentimento dos pequenos no dia da “Formatura da Educação Infantil”. Um evento que muitos acham desnecessário, pois a passagem não tem caráter de colação de grau, nem é uma exigência para que o estudante realmente possa ingressar no Ensino Fundamental. Que ingenuidade destes adultos chatos!

A cerimônia de Formatura da Educação Infantil é o símbolo da primeira grande transformação na vida da criança. É o primeiro anúncio oficial e, principalmente, público, que ela vai ter que deixar de ser quem sempre foi, para se tornar algo novo, maior. Muitas vezes por conta disto tem que trocar de escola, separar-se em definitivo de amigos que estão juntos há pelo menos um ano, não ter mais o abraço e o beijo daquela que, por meses, cumpriu os papéis de educadora, mãe e pai. Não comer mais no mesmo refeitório, brincar com os mesmos brinquedos, sair pelo portão sabendo que no outro dia estaria ali. Representa o fim de um ciclo colorido, musical e descompromissado. Sim, meus amigos... chorei junto com a Mikaela quando fiz a foto, quando a tratei no computador e quando escrevi esta pequena reflexão. Sua lágrima me fez pensar em todas as vezes que tive que abandonar tanta coisa para "evoluir". Constantemente estamos evoluindo, e por isso mesmo abraçando pessoas, coisas e causas pela última vez.

Lembro de quando meu filho Érico estava próximo de fazer seis anos de idade, e o quanto isto assustava, pois representava que seria seu último ano na Escola Risco e Rabisco, que ele tanto amava. Repetiu muitas vezes que não queria fazer aniversário naquele ano, como se isto fosse fazê-lo ficar para sempre na escolinha.


De qualquer maneira, se o dia do meu aniversário tinha todos os elementos para ser melancólico, afinal de contas troquei a celebração pelo trabalho, ele não foi. Longe disso! Recebi outro de tantos presentes que a vida tem me dado. Mais do que uma foto belíssima, a lágrima da Mikaela em seu último abraço na despedida da professora da Educação Infantil foi um presente incrível. Felicidades, Mika... E obrigado!







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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apenas...




Na foto, Luna, no Recanto Maestro, São João do Polesene, RS.



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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

MAIONESE COM CEBOLA (uma crônica gastronômica e política sobre a intolerância)

Eu não gosto de cebola na maionese! - Para quem não é do Sul, estou falando daquela salada de batatas, que aqui chamamos apenas de salada de maionese. – Simplesmente não combina! A suavidade da batata e a cremosidade da maionese para mim acaba sendo envenenada com o gosto forte e a rigidez da cebola. Respeito quem gosta e quem põe em sua receita, mas peço, por gentileza, que quando fizer uma maionese com cebola, que reserve separado um pouco sem este tempero para mim, obrigado.

Quando mais jovem eu até havia feito uma teoria sobre a cebola na maionese que dizia o seguinte: Se o cozinheiro colocar cebola na maionese, só quem gosta dela na salada vai comer. Se ele não colocar, todos vão comer. Simples assim...

Contudo, eu não desprezo totalmente o vegetal malcheiroso. Gosto de usar para temperar carne, por exemplo. Frito até que quase desapareça, mas uso. Em ensopados também costumo utilizar. Mas na salada de maionese, ou em qualquer outra salada onde ele apareça cru, nem pensar.

Todavia, fico imaginando que grande besta eu seria se ficasse simplesmente desejando o fim da cebola. Óbvio, seria cômodo, porque não precisaria mais me preocupar com ela aparecendo de surpresa e estragando alguma deliciosa maionese. Mas também seria um desejo egoísta, pois não levaria em consideração todas as pessoas que gostam de cebola. Não deixaria de ser, também, uma forma de reprimir a criatividade, uma vez que fico pensando em quantos temperos diferentes foram descobertos apenas porque alguém procurou alternativas à desprezada cebola.


Outro motivo que me faz refletir e não desejar o confortável desaparecimento da cebola é o fato de que existem muitas pessoas que precisam dela para sobreviver. Há famílias inteiras que dependem do seu plantio, que trabalham de sol a sol, que cuidam, adubam, regam. E depois vendem. Também tem o cara que transporta. O que distribui. E o que vende na feira. Ah... e o que pesa na balança. Todos eles dependem, mesmo que em uma pequena parte, da cebola. Então o fato de não gostar dela na maionese, não me dá o direito de querer seu fim sumário, simplesmente porque não tenho o direito de querer o mal de tantas pessoas para favorecer um gosto pessoal meu. Ou seja, não quero comê-la, mas para isto não preciso odiá-la, correto?

O que temos visto nas redes sociais ultimamente é um festival de ódio à cebola. Seja ela cebola política, cebola religiosa ou, até mesmo, cebola esportiva. Pasmem!

Quantas vezes por dia nos deparamos com pessoas, muitas delas amigas nossas, que disseminam o ódio às suas cebolas? Compartilham mensagens e imagens carregadas de preconceito, pregam escancaradamente que aquele que gosta então não deveria comer outra coisa, apenas cebola. Quem sabe até se mandar para outro país onde sua cebola fosse aceita com naturalidade, mas não aqui. Apresentam provas cabais de que a cebola está envolvida em tudo que é de mais ruim no mundo e que por isso mesmo deveria ser erradicada. Com violência, se fosse o caso.
Se um músico se manifestar a favor da cebola: Parem de ouvi-lo agora! Sua música não presta e seu sucesso só se deu porque existe uma fraude na Lei de Incentivo ao Bulbo Vegetal! Não importa o quanto de admiração havia por qualquer pessoa, a partir do momento em que ela resolver defender a cebola, devemos considerá-la burra, corrupta e mentirosa. Devemos questionar não seu posicionamento com relação à cebola, mas sua obra como um todo.

Por outro lado, os contrários, que defendem o tempero, dizem que aquele que não gostar de cebola é covarde, que a única comida verdadeiramente boa é aquela feita com bastante cebola. Vão usar apelidos depreciativos para diminuí-los em sua condição humana. Podem, inclusive, defender que o ideal seria um mundo onde todos fossem obrigados e comer cebola sorrindo e tecendo elogios fervorosos ao Grande Chef que, impecável em sua cozinha, mandaria envenenar a comida de qualquer um que ousasse questionar o sabor e a importância de suas cebolas.

Não vivemos mais no limite da tolerância. Já o ultrapassamos faz tempo. Nossa sociedade está no momento em que a frase “Está comigo ou contra mim?” é perfeitamente natural. Mensuramos o caráter das pessoas não pelo que elas acreditam, mas pelo quanto o que elas acreditam se aproxima do que eu acho certo e aceitável. Em quem se vota, com quem se dorme e até mesmo o que se come é mais importante do que o quanto uma pessoa possa ter feito de bem para outras. Estamos mais próximos das fogueiras inquisitórias da Idade Média do que imaginamos.

Um grande abraço e um ótimo final de semana a todos nós.

TOLERÂNCIA AINDA É A PALAVRA MAIS BONITA DA LÍNGUA PORTUGUESA! #SEJATOLERANTE!


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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

OS AMIGOS E O TEMPO

Já paraste para pensar em quantos melhores amigos para a vida toda passaram por ti e que hoje são, simplesmente, lembranças? Isso quando ainda nos lembramos deles.

Não importa a idade que temos, a única coisa certa quando falamos em amizades é que elas passam por nós na mesma velocidade em que vamos migrando para grupos novos. Cada círculo novo em que nos inserimos representa que acabaremos escolhendo ou sendo escolhidos por pessoas que, de tão especiais, acreditamos ingenuamente que estarão presentes em nossas vidas para sempre. Se tornam, naquele momento, necessárias por nos completarem ou então por refletirem a nós mesmos, como espelhos.

Como tenho mais de 40 anos, já não sei mais a conta de quantos destes grupos passaram por mim. Escola, SENAI, exército e empresas nas quais trabalhei... Sempre havia aquela pessoa, aqueles caras, aquele grupo “insubstituível”, cujos tempo e distância jamais se tornariam determinantes para um afastamento. Fazia planos de manter contato, jogar uma bolinha vez por outra, fazer um churrasco com as famílias. Mas onde estão estas pessoas? Se perderam. Algumas no tempo, outras no espaço. Raríssimas são as amizades que permanecem sem sucumbir a falta da proximidade. E quando ficam, nunca mais na mesma intensidade ou importância.

Hoje, é de certa forma desapontador descobrir que “usamos” as amizades porque elas suprem necessidades em épocas ou situações tão específicas. O espaço tempo determina nossas companhias e a empatia se dá muito mais pela necessidade de segurança ou conforto do que pela poética e "espiritual" química. Por isso, na medida que os grupos vão desfilando, a relevância que alguns de seus entes têm em nossa vida vai perdendo força. Triste isso. O “diário dos meus segredos” de ontem, com quem se compartilhou lágrimas e dores, hoje é uma pessoa para quem trocamos um abano simpático e amistoso em algum raro evento em comum.

Por todas essas reflexões que fiz, mais do que nunca acredito que devemos valorizar e respeitar nossas amizades enquanto estão próximas de nós, principalmente aquelas especiais. A linha do tempo de nossa história vai avançando e se transformando conforme as pessoas vão passando por nós e deixando marcas. São nossos amigos de agora que nos amparam, pois muitas vezes eles estão mais próximos que nossos parentes jamais estarão (e que nem sempre consideramos amigos).

Ouça, abrace, celebre os grandes amigos pelo maior tempo que puderes! Não perca tempo com cobranças ou discussões vazias, uma vez que tu não sabes quando uma desavença destas pode ser o motivador para que tu acabes avançando para outro grupo, para outros amigos. Aí, então, teu melhor amigo para uma vida inteira pode acabar se tornando não mais do que uma lembrança legal.


Um abração em todos!

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O Mundo de Érico


E aí, galera,

Pra quem não sabe, tenho um filho de sete anos chamado Érico. Pois tanto ele insistiu que acabou me convencendo a criar uma página no Youtube pra ele. E não é que o guri leva jeito para youtuber?

Quem quiser dar uma visitada no canal dele, é só clicar no link abaixo. E já que vai visitar, não deixa de se inscrever no canal e dar Like nos vídeos, ok?

O INCRÍVEL MUNDO DE ÉRICO

 MUNDO DE ÉRICO


Um abração!

Leandro.