No
tradicionalismo gaúcho existem pessoas experientes e pessoas velhas. E a diferença não está na idade, mas na postura.
As
pessoas experientes enxergam que suas instituições são constituídas pelos seres
humanos que seus galpões abrigam. As pessoas velhas acreditam que a entidade é
o galpão, que quem estiver dentro dele é passageiro.
O experiente entende que os jovens não apenas são o presente, mas a garantia de um futuro para o tradicionalismo, e que o jeito deles de viver seu tempo não é uma ameaça, mas um sopro necessário. Afinal, eles escolheram estar ali mesmo tendo um mundo de opções à disposição. O velho não. Ele quer ditar ao jovem o que ser, ouvir e vestir, vendo na cultura contemporânea uma incompatibilidade com a "verdadeira" tradição.
O
experiente diz ao jovem que a tradição pode somar, contribuir com sua formação
como ser humano único e especial. O velho diz ao jovem que ele tem de optar em ser o que é ou
um "tradicionalista de verdade".
A
experiência ensina que devemos abraçar a todos, para que aqueles que se
encontrarem permaneçam. Na lógica do velho temos que eliminar aqueles que não
se enquadram logo no começo, para que não contaminem os demais.
O
experiente quer aprender com o novo. E aprende, através das novas músicas, pelas redes sociais, as questões e anseios da atualidade! O velho crê que está aqui para
ensinar. E tenta empurrar o que acha certo goela abaixo, como se fosse o
capataz da verdade.
O
experiente ama seus jovens. O velho quer ser temido por eles.
Alguns
tradicionalistas experientes são jovens, não importando a idade que tem.
Enquanto isso, alguns de vinte e poucos anos já são velhos.
O
experiente é reconhecido como amigo. O velho quer ser chamado de patrão.
Os
experientes deixarão um legado. Os velhos, no máximo, uma foto em um quadro na
parede do CTG.
Texto atualizado em 04/01/2026
Estas
reflexões pessoais são fruto da observação, depois de 35 anos (em 2018) envolvido com
tradicionalismo gaúcho. Declamador, blogueiro, instrutor de grupos de danças e,
hoje, oficineiro de interpretação no Projeto Aquecimento Cênico. São 35 anos
convivendo, compartilhando e aprendendo. De orelhano à membro de patronagem. De
crítico às inovações a alguém que hoje tenta entendê-las e aprender com elas.
Este sou eu, alguém que ama a cultura gaúcha e acredita que apenas através do
jovem tradicionalista, de sua força e de tudo que tem a ensinar, podemos
extrair o que há de melhor na tradição, perpetuando o que é bom e lembrando,
como aprendizado, daquilo que não podemos repetir jamais.
Leandro de Araújo
Nas fotos, Érico Araújo.
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Graças a Deus o Tiara conta com uma PATROA muito "experiente" e nada tem de "velha".
ResponderExcluirQue maravilha! O Tiara é uma entidade muito especial! Abração!
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