POESIA 108 - Fetiche


FETICHE
Leandro de Araújo


Sim, confesso.
Sempre tive uma tara por elas.
Acho-as bonitas, charmosas...
Mesmo as mais velhas,
Cobertas por panos datados,
Ou floridos, ou cafonas.
Quero tocá-las, manipulá-las,
Com as duas mãos senti-las.

Quando me sinto só,
Quando me sinto preso...
É uma delas que procuro.
Uma sensação tão boa
Toma conta de mim
Quando vou sorrindo abri-las,
Atravessar meio corpo e suspirar...

Vontade de gritar.

Elas me fazem lembrar
Que outro mundo existe
E é possível...
Basta olhar através delas
E deixar sua luz aquecer
Minhas células uma a uma,
Alterar minhas pupilas,
Sorrir e, talvez, chorar.

Sim, confesso.
Sempre tive uma tara por janelas.
Elas que são um portal
Para um mundo livre
Que está lá fora, esperando.

Do outro lado da janela.






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